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Kostyuk atropela Paolini e dedica primeira semifinal em Wimbledon ao avô na Ucrânia

Marta Kostyuk alcançou a primeira semifinal de sua carreira em Wimbledon nesta quarta-feira ao superar a italiana Jasmine Paolini com autoridade por 6-3 e 6-2, em apenas 69 minutos de partida no icônico Centre Court. A ucraniana de 24 anos, cabeça de chave número 12, entregou uma atuação de altíssimo nível marcada por variedade e precisão devastadora, apagando qualquer histórico de dificuldade no piso de grama. Ao fim do jogo, com uma pirueta que arrancou aplausos da plateia, Kostyuk confirmou o que o torneio já vinha sugerindo: ela é hoje uma candidata real ao título.

A vitória foi dedicada a seu avô de 89 anos, que permanece na Ucrânia enquanto o conflito com a Rússia se arrasta desde fevereiro de 2022. "Estou muito feliz por conseguir isso enquanto meu vovô ainda está vivo", disse Kostyuk emocionada nas entrevistas pós-jogo. "Ele me manda mensagem depois de cada partida dizendo o que posso melhorar. Nas últimas partidas, não fez isso - estava apenas orgulhoso, dizendo como estou jogando bem. Isso, pra mim, é uma vitória. Não recebi muitas mensagens assim dele na vida." O esporte tem esse poder singular de conectar gerações e fronteiras, algo que atletas de diferentes modalidades conhecem bem - assim como confira o recorde que Messi persegue no futebol, onde a busca por legado também transcende o campo.

Uma estreia no Centre Court para ser lembrada

Wimbledon era, até esta edição, o único Grand Slam no qual Kostyuk nunca havia passado da terceira rodada, e ela jamais havia disputado uma quartas de final em nível WTA no saibro de grama. Não havia nenhum sinal dessas limitações passadas no jogo desta quarta, mesmo com o calor intenso da tarde londrina. Vencendo 11 dos últimos 14 games para fechar a partida, a ucraniana dominou Paolini - campeã em Roland Garros - de uma forma que surpreendeu até os observadores mais céticos.

"Olá, Centre Court! É a minha primeira vez jogando nessa quadra inacreditável e é um sonho se tornando realidade", declarou Kostyuk ao microfone depois da vitória. A jogadora contou que seu treinador a levou para caminhar pela quadra na véspera justamente para que ela se ambientasse. "Fiquei pasma e precisei de um dia para me recuperar", brincou. Nove anos atrás, ela era espectadora no mesmo lugar, assistindo a Roger Federer. Agora, faz a caminhada da honra como protagonista.

Posicionamento firme sobre o COI e os atletas russos

Kostyuk, uma das tenistas ucranianas mais ativas politicamente desde o início da invasão russa, não evitou o tema quando questionada sobre a decisão do Comitê Olímpico Internacional de levantar provisoriamente a suspensão de atletas russos para os Jogos de 2028. "Meus pensamentos são de que é terrível. Está muito, muito longe do fair play para todos os países envolvidos, não só para a Ucrânia", afirmou. Sobre sua atitude nos Jogos, foi direta: "Só quero ir lá e, espero, vencer cada russo que eu enfrentar. É isso." A tenista também agradeceu à mãe e ao avô pelo sacrifício de toda uma vida dedicada à sua carreira. "Eles merecem tanto quanto eu", completou.

Noskova garante vaga e mantém domínio tcheco em Wimbledon

Do outro lado da chave, Linda Noskova, nona cabeça de chave e de apenas 21 anos, também avançou à semifinal ao bater a belga Elise Mertens por 6-3 e 7-5 na Quadra Um. A tcheca, que conquistou o Aberto de Berlim no mês passado e acumula dez vitórias na grama nesta temporada, foi a tenista que mais ganhou partidas no piso verde nos últimos dois anos no circuito. Ao cravar a vitória, ela se ajoelhou no chão em incredulidade, tornando-se a semifinalista mais jovem de Wimbledon desde Jelena Ostapenko em 2018.

Com a compatriota Karolina Muchova também na semifinal, a República Tcheca confirma uma tradição impressionante: Noskova se tornou a oitava tenista tcheca a alcançar as semifinais do feminino em Wimbledon desde 2000, marca que nenhum outro país conseguiu superar no mesmo período. Na semifinal, Kostyuk e Noskova se enfrentarão em um duelo que coloca em campo duas das revelações mais consistentes do circuito feminino nesta temporada - ambas em seu primeiro Slam four em Wimbledon, ambas com histórias que vão muito além do tênis.