Naomi Osaka produziu um dos resultados mais surpreendentes do ano no tênis ao bater a número 1 do mundo, Aryna Sabalenka, por 6-2 e 7-6 (2), neste domingo, no Centre Court de Wimbledon. A vitória garantiu à japonesa uma vaga nas quartas de final do torneio londrino pela primeira vez em sua carreira. O triunfo tem um sabor especial: Sabalenka havia vencido as três partidas anteriores contra Osaka em 2025, incluindo na mesma fase de Roland Garros, no mês passado.
O confronto reuniu duas das jogadoras com maior potência de bola no circuito, mas foi Osaka quem dominou com maior consistência ao longo de todo o duelo. Assim como a Croácia lidera o ranking na Copa em termos de representatividade por jogadores ativos, Sabalenka chegava a este Wimbledon como a grande favorita, mas foi incapaz de administrar a velocidade e a planura dos golpes de Osaka, que voaram ainda mais rápidos do que o normal graças ao calor do dia - 28 graus Celsius, a temperatura mais elevada registrada no torneio até então.
O impacto do calor e da bola plana de Osaka
O dia mais quente de Wimbledon 2025 acabou funcionando como aliado de Osaka. Em condições de calor mais intenso, as bolas tendem a ficar mais rápidas e a quicar mais baixo na grama, o que favorece golpes planos e potentes - exatamente a característica central do jogo da japonesa. Sabalenka, que costuma ditar o ritmo com seu forehand devastador, viu suas bolas retornarem com a mesma, ou maior, violência. O segundo set precisou de um tie-break para ser resolvido, mas Osaka foi categórica, fechando por 7 a 2 sem dar margem à recuperação da bielorrussa.
Uma vitória cinco anos esperando
Para Osaka, a conquista vai além do resultado imediato. Esta foi sua primeira vitória sobre uma tenista número 1 do ranking desde que derrotou a australiana Ash Barty em Pequim, em 2019. No período entre aquela vitória e hoje, Osaka enfrentou desafios profundos: se afastou do circuito em 2021 para cuidar da saúde mental e esteve ausente durante todo o ano de 2023 por licença-maternidade. A japonesa, ela própria ex-número 1 do mundo, construiu uma das trajetórias de retorno mais acompanhadas do tênis recente, e este resultado em Wimbledon representa uma validação concreta do seu nível competitivo no mais exigente dos palcos.
O que vem pela frente
Nas quartas de final, Osaka terá um novo teste de alto nível e a chance de avançar mais fundo em um Grand Slam pela primeira vez desde seus títulos no Aberto da Austrália e no US Open. Para Sabalenka, a derrota interrompe uma sequência dominante contra a japonesa e levanta questões sobre sua adaptabilidade ao piso de grama, embora a bielorrussa siga sendo a principal candidata ao título ao longo da temporada. Em Wimbledon, porém, Osaka mostrou que, nas condições certas, pode desafiar as melhores do mundo.